sábado, 3 de setembro de 2016

OUTRA ECONOMIA - OUTRA LEI www.facebook.com/groups/OUTRALEI


Queridas a amigas e queridos amigos,

apresentamos lei ancestral indígena e afro brasileira para a ordem de nossa economia. Economia entendemos como o modo como administramos o uso dos recursos naturais, entre estes a própria vida humana. Sabemos que o sistema econômico baseado na escravização é importado para este continente ancestral indígena a partir das colônias, entre estas o Brasil, que foi monarquia, hoje é república com o sistema "representativo", que é uma forma de organização política que suporta a transição para o fim da escravização, cuja ultima forma se caracterizou porque não tínhamos o direito legal para fazer as leis que regulam nossas próprias vidas. Escravas/os não decidem sobre sua vida. Desde 1988 está prescrito em nossa Constituição esse direito. Por Soberania Popular, hoje, estabelecemos as condições físicas para exercermos o direito de definirmos as leis que regem nossas vidas, o quê deve melhorar com o tempo. Estamos coletando um milhão de assinaturas para encaminhar uma lei que TRANSFORMA A ECONOMIA DE NOSSO PAÍS.
essa Lei Ancestral infere sobre nossa economia, e deve promover a ascensão econômica das condições físicas para a vida de nosso povo. cannabis é um recurso natural arrancado de nós pelo signo da morte. plantar ou comercializar cannabis, hoje, em nosso país é risco de vida.
vamos analisar o plano econômico para o "Mundo" de 1930 como definitivo para a emergência da segunda grande guerra entre os povos da Europa, submissos aos herdeiros dos impérios.
os países perdedores da guerra coincidem com os que inicialmente recusaram assinar a imposição mundial da proibição, por exemplo, da cannabis, que é a nossa pauta neste momento.
nossa Lei Ancestral indígena e afro é apresentada pela proposta de superação do sistema representativo, o quê se estabelece a partir da Soberania Popular assegurada por nossa Constituição para apresentarmos nossas próprias leis, e nossas leis regem tudo o que somos e tudo o que temos nos Estados Nacionais. o Brasil é um Estado Nacional.
também a Humanidade tem sido tratada como recurso para grupos específicos, desde antes dos Grandes Impérios da África, Oriente Médio e Ásia. Com sorte a Europa estabeleceu a escravidão em sua forma de economia, mais tarde, quando surgem as monarquias, antes disso eram escravos e vassalos  étnicos, a partir de uma discriminação racial. hoje, nós como povo, ainda vivemos como escravas por não termos estabelecido o espaço físico para a constante elaboração de leis, que são expressão de nossos interesses.
se existe alguma forma de inteligência superior entre nós, defendo a inteligência coletiva como sendo esta, pela abrangência de seu entendimento sobre a realidade.
Meu Povo é Meu Deus.
Peço a Meu Deus que proteja e abençoe a mim, e a todas as pessoas que Enaltecem sua Grandeza e Sabedoria.

São Luís, 03 de Setembro de 2016.

https://www.facebook.com/groups/OUTRALEI/

Imagem Tapï Ikpeng​

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

OUTRA LEI. Privados de Liberdade



https://youtu.be/pjhkJ2X7c64
Neste filme apresentamos alguns dos resultados de nosso trabalho, a reunião de pessoas, mulheres e crianças que já não dormem em um lugar onde violência é abrigo para o amor, entende? Um voador de asa delta e um surfista, brasileiros fuzilados na Indonésia ano passado. Nosso desejo de liberdade, DIGNIDADE e paz são os motivos que nos movem a assumir a coleta de um milhão de assinaturas para a lei de iniciativa popular que apresenta lei ancestral, indígena e afro brasileira, para a "AMPLA LEGALIZAÇÃO DO CULTIVO E CONSUMO DA CANNABIS EM TODO O TERRITÓRIO NACIONAL, SENDO A PESQUISA, A INDUSTRIALIZAÇÃO E O COMÉRCIO DA PLANTA, DE SEUS PRODUTOS E DERIVADOS, DEPENDENTES DE REGULAMENTAÇÃO PRÓPRIA NOS TERMOS DOS RESPECTIVOS SETORES CITADOS".

LINK PARA NOSSA LEI DE INICIATIVA POPULAR,
https://drive.google.com/file/d/0B8C2EhqczWqdMXgwTVF1ZWNWMjg/view?usp=sharing
https://youtu.be/pjhkJ2X7c64

domingo, 1 de maio de 2016

OUTRA LEI - CONTINENTE ANCESTRAL INDÍGENA

Gracias por su presencia,
Nos ayude, estamos presentando propuesta de la legalización de cannabis en Brasil por la ley popular, sin "representantes políticos" , que no nos representan . Todo nuestro trabajo es voluntario, és una estrategia para alejar a los "representantes políticos": no tiene dinero, no tiene "representantes políticos".
Usted puede ir a la embajada de Brasil en su país , y organizar un evento de recogida de firmas . Acciones del pueblo de otros países deben repercurtir decisiva entre la gente brasileña . También puede firmar en apoyo , su suscripción no és validá para los "políticos" , pero para nosotros los brasileños és importante.
Tambiém quiero decir: que nuestras antepasadas ​​mexicas , aztecas , y todas los pueblos que habitaban la región donde hoy es México, su país, son mis referencias, Los invasores medievales escribieron "NO hay corrupción entre ellos". Mi trabajo tiene como objetivo despertar la conciencia de las raíces del pensamiento de nuestras antepasadas de este Continente Ancestral . Hoy tenemos todos los pueblos de la Humanidad en nuestros vientres, Nosotras somos todos los pueblos de la Humanidad. Considero que esto es nuestra mayor herencia .


Aquí está el proyecto de ley escrita en un lenguaje Tukano, Hoy en día todavía se hablan 200 idiomas aproximadamete, este es uno de ellos.Tenemos que estudiar ilos diomas ancestrales. El conocimiento de las lenguas antiguas ayudar accedemos a la sabiduría de nuestros ancestros.

https://drive.google.com/file/d/0B9zZSgYguE-rOGQtejlTZHdhcDg/view?pref=2&pli=1

quinta-feira, 23 de julho de 2015

BEZERRA DA SILVA [1927-2005] - Um Mestre do Samba na luta pela legalização do Cânhamo

BEZERRA DA SILVA [1927-2005] - Um Mestre do Samba na luta pela legalização do Cânhamo

No blog da Marcha Xingu Vivo http://marchaxinguvivo.blogspot.com.br/2015/07/bezerra-da-silva-1927-2005-um-mestre-do.html

Boa noite gente amiga!
Essa é uma publicação para fortalecer a proposta de realização da Parada Da Maconha, ou melhor, para fortalecer as pessoas que se sentem envolvidas com a proposta, as pessoas que sentem necessidade de mudança. Para nós, nada melhor do que buscar nossos mestres, e quero trazer, talvez, o maior deles na sua arte de sambista pela legalização das "drogas", cânhamo e ipadu, maconha e coca, sobre as quais devemos falar para esclarecer, para tirar as pessoas com as quais vivemos da ignorância, por isso trago um Mestre na conquista de espaço para a honestidade, afinal ele fala nas mídias de massa o que ninguém mais falava. Honestidade é básica para que a gente conquiste dignidade.



Para quem não conhece o Bezerra, por favor, primeiro, ouça, apenas ouça, ele dispensa qualquer comentário.

Do jeito que entendo a importância da voz de Bezerra da Silva, ele é um mestre sem igual, viveu num dos períodos de maior violência subterrânea nos becos e porões da vida do Brasil, abafada, por debaixo dos panos. Difícil viver isso, especialmente para quem transforma tudo em Samba de Partido Alto. É muita mestria!

O Bezerra foi um homem que nasceu em 1927 em Pernambuco. Digo isso para termos referência pra comparar sua coragem, ousadia e inteligência com a maioria, ou todxs, que viviam naquele período. Pois, soube administrar forças conflitantes fazendo samba, criando um espaço de significação positiva das drogas, de proteção de usuárixs, dos que plantam e vendem, muito antes de nós existirmos. Isso, no meu palpite, é coisa de Mestre. Lembro um pouco como foi a década de 1970, e não parece bom. Pois, pelo que lembro, agora é importante lembrar que Bezerra da Silva distribuía informação, significados, medidas de risco, de dignidade, fazia pelo fim da ignorância, nas décadas de 70,80,90. Um sujeito que soube colocar a vida acima da arte e mostrar que isso é ganhar sentido, e por mais adversas que sejam as circunstâncias, o sentido de fato, do cotidiano, da experiência, se sobrepõem, e o que o Bezerra da Silva mostra é a superioridade da experiência desse grupo social que aceita o consumo de cannabis, "malandro não vacila", isso não é arrogância, é condição.
E assim, ele provocou, nas mídias de massa, os grupos que controlavam o sistema judiciário, econômico e político no país sob a autorização deles próprios, como não vi nenhuma outra pessoa fazer, e de, quebra, nos paga com honestidade a importância do Samba.
Parece que o Bezerra da Silva não tinha, nunca, nada a temer, isso faz dele referência de postura, comportamento. Fazer o que o Bezerra fez é para poucas pessoas hoje, naquele momento em que ele fez, acho que o único capaz foi ele. Certo é que ele mostra um caminho pra superar hipocrisia, mostra que é possível, que nós podemos agora, mostra que aqueles 30 anos passados de opressão pela violência e manipulação pelas mídias no Brasil, PASSARAM, não existem mais! Essa é a hora de criar a lei Bezerra da Silva, e legalizar o plantio e o comércio de cannabis no Brasil, e lembrar com orgulho desse herói.
E tenho outro palpite, que essa capacidade do Bezerra está muito relacionada com a capacidade dele de viver na rua e manter sua dignidade. Quem já viveu com moradorxs de rua consegue imaginar de onde o Bezerra tirou tanto poder! Salve o povo da rua! Ele foi morador de rua por anos, mas também tocou tamborim na escola, tocou com o Jackson do Pandeiro. Como sambista é cria do Canta Galo, e cantou de galo no nariz de cães e serpentes.
Publico uma ilustração do samba para tevês de massa. Isso foi feito em 2003, dois anos antes da morte do Bezerra.
Vou continuar  falando sobre o Bezerra, sim, essa conversa é feito Roda de Samba, Partido Alto, "eu mando brasa por cima de brasa"!


PARADA DA MACONHA EM FLORIPA
Evento no FB com maiores informações e contatos, https://www.facebook.com/events/481510405339856/
Perfil, Paradadama Conha,
https://www.facebook.com/profile.php?id=100009429029312

Perfil da autora do texto, Jakeline De,
https://www.facebook.com/jakeline.d.souza

terça-feira, 10 de março de 2015

Quem somos nós se o Mundo não acabou de ser criado?

Quem somos nós se o Mundo* não acabou de ser criado?

"A voz do Povo é a voz de Deus" aprendemos com nossas mães isso. Sábias, era preciso mascarar a sabedoria para que não morrêssemos por nossa honestidade. O povo é Deus.
Os espaços para apresentarmos outras ideias, que não fossem/sejam as hegemônicas e institucionalizadas, estão passando a existir sendo respeitados, o comportamento, mais cotidiano e privado, assim como as leis, estão mudando, suponho que graças às novas condições para a comunicação, é por isso que publico essa ideia aki.
Se a voz do povo é a voz de Deus, então, o povo é Deus. Mas, nós somos o povo e não somos onipotentes, somos interagentes, interdependentes, uma multidão de criaturas criadoras, que combinam desejos, interesses, emoções.
Entendo que essa ideia de nosso poder criador humano está na filosofia da poesia indígena, em várias explicações Tukano/Dessana/Piratapuia/Tuyuka/Yepamahsã, sobre quem somos nós e de onde viemos. Está nas publicações dos "mitos" indígenas (tenho dúvida sobre a coerência da palavra mito para nominar esses conhecimentos). Dizem: "a Origem é Nossa Antepassada**, como nossas avós", e chamam-na "Avó do Mundo"!!!
A Avó do Mundo que/m criou o Primeiro Avô do Mundo, que criou muitos seres, e o importante aqui, não é a relação entre gêneros, mas a distância entre uma noção de "Deus", conforme as religiões cristãs, judaicas, muçulmanas, e a compreensão apresentada pelos indígenas sobre a Origem de tudo quê/quem existe. E é importante lembrar que ouvi diversas explicações sobre o quanto a Origem da Existência não foi uma mulher, e o quanto é associável a nós mulheres.
Para o que conheço sobre as explicações apresentadas por anciãs e anciãos indígenas, o que tive a oportunidade de conhecer dito da boca de Pajés, sobre a Origem no passado, e as explicações ressaltam: "como as mães de nossas mães, nos criam, nos geram, passamos a existir através delas".
Para as religiões, diferente da compreensão indígena que conheço, a noção de "Deus", como criador original, é transcendental à existência material, não está no passado. Para essas religiões nossa condição é diferente da condição da origem do que somos.
Pois bem, na explicação indígena somos descendentes dessas "divindades" (conforme mais comumente traduzido nos compêndios de Antropologia, mas os indígenas que conheci traduziram por "antepassadas", apesar das insistentes interlocuções "brancas", que insistem em dizer que Ye'Pa´ é uma "divindade", tentando confortar o pensamento cristão no pensamento indígena) somos Criadoras/es também!
Isso, no meu entendimento coerente, diferente da criação do Deus cristão, extraordinário, transcendental, parece incoerente, além de ser onipotente, onisciente, onipresente, antagonizando nossa vida ordinária, finita, nossa impotência e falta de consciência.
O Mundo. no presente, na explicação indígena, é a evidente continuidade de  criações, desde a Origem até o Presente que está sendo criado por Nós (no plural), AGORA!
Ouvi a afirmação: "O Mundo não acabou de ser criado, está sendo criado neste momento, e nós o estamos criando", do Kumu Gabriel dos Santos Gentil, que transcreveu e traduziu gravações das falas de anciãos, feitas pelos padres salesianos ainda na primeira metade do séc XX. Ora, ora, concordo! Além de entender que este lugar de criação para todas é politicamente relevante para minhas expectativas pessoais.
[ O oráculo chinês, I Ching, fala em transformações, em Yin e Yang, duas fontes para a criação de tudo o que existe, suprime uma origem única como parte das transformações e, na condição de transformação e não de criação, marca a diferença fundamental: para os chineses a transformação não pressupõe nossa ação criadora como continuidade da Existência, no entanto, busca a compreensão sobre esse Universo de Mutações, de modo a simultaneamente orientar nossa vida social, que é apresentada em dimensões diversas da relação entre essas duas forças Yin e Yang]
A contemporaneidade da criação, segundo os indígenas que conheci e li, parece, sim, com as teorias mais "modernas" sobre o universo em plena expansão; e nossa antepassada primordial é mais traduzível por "bigbang", do que por "Deus" cristão. O "bigbang" é nosso antepassado, e os cientistas "pós-modernos", apesar da dificuldade em entender a Humanidade em seus trabalhos, sob essa perspectiva, estão mais próximos da compreensão indígena "são mais nossos parentes", do que monoteístas dessas religiões que foram/são importantes por ali, entre Europa e Ásia.
É bom lembrar também que para as filosofias indígenas, animais, nuvens, árvores, mares, rios, pedras e estrelas são sujeitos, e isso significa que criamos como Humanidade, mas que existem outras forças em relação.
Essa compreensão a mim parece tão óbvia, tão evidente, e satisfatória, é, ao mesmo tempo, simples e amorosa. Ouso afirmar que o caminho para acessar algum conhecimento deve, antes, estar sedimentado numa espécie de amor pela Humanidade, como se os sentimentos fossem portas de acesso à compreensão, impossível de acessar no confinamento da compreensão macro física e todos seus aparatos metodológicos para o controle sobre as experiências, o que justificou teorias até a primeira metade do séc XX, sem oposição crítica respeitável.
Assim sendo, rendo-me ao calor da fogueira, a Tembo, à Ye'Pá, à Finitude e à Eternidade, diante de mim e das estrelas, por Amor.
** existem diferentes versões para a origem, alguns em uma origem feminina, outros em uma origem hermafrodita, e outros em uma origem masculina. No entanto, ouvi dos indígenas com os quais trabalhei que a ênfase na origem masculina estava relacionada à perseguição dos padres contra as origens hermafrodita e mulher, especialmente quando as casas comunais eram construías inspiradas nessas formas (e minha referência para análise são as formas, não a ideia de "espíritos"). Ver "Mito Tukano: 4 Tempos de Antiguidades" de Gabriel dos Santos Gentil.
* por gentileza, compreender que Mundo, com inicial maiúscula, é uma tentativa de legitimar um modo indígena de expressão para a noção de Cosmos, com a diferença de que a noção de "Cosmos" tem apreendido apenas a física, sem incorporar a esta noção a interagência da consciência humana. A Ciência indígena se destaca por esta diferença epistemológica.




[perdoem a falta de revisão "os dias eram assim"]

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

do gosto de quem vive ventos sobre águas - Nativa

exalto o lugar que me define em gosto pelo Paraíso,
 
Lagoa De Luz
é muita Luz
Luz que brilha na escuridão-fogueira,
escuridão-vagalume,
poste, lâmpada, farol,
desenham traços de luz na pele negra da água.
a Lagoa é assim, por que nela toda a Luz amplia,
a voz da Luz na Lagoa dá-se em explosão de ecos.
Luz multiplica na Lagoa. multiplica.
Lagoa De Luz que brilha leve
e de Luz mais densa.
se dia-prata, na água-dourada
se cinza-dia, na cobre-d'água,
lâmina escura e brilhante.

Velejar, velejar é Poder.
é viver o Poder das forças dos Ventos.
um arco-íris forma-se aos meus pés.
é a Luz nas gotas de água do mar da Lagoa.
A beleza da Lagoa é sem fim para quem vive nela.
a leveza de um sopro,
uma pluma que desliza sobre a pele da água,
sobre a pele da água,
a pele da água salgada do mar da Lagoa
desliza em seu melhor amor-perfeito,

em sopros arco-irisados,
sua tez lampeja prata, cobre, dourada,
no verde-azul da água,
conforme a hora do dia e o céu.

na dança dos peixes, à caça das garças e gaivotas,
desliza, flutua, salta, suspende, voa!
Obrigada!

 

***


quarta-feira, 16 de abril de 2014

AUTOFÁGICA EPISTEMOLOGIA DA ANTROPOLOGIA: uma análise da produção de conhecimento enquanto produção de relações sociais.




Jakeline De Souza
 
 
Resumo
 
Nesta palestra, realizada para doutorandas/os do Programa de Pós Graduação em Sociedade e Cultura na Amazônia, da Universidade Federal do Amazonas, apresento um debate sobre as negociações entre sujeitos sociais, antropólogas/os e “nativos”, para a realização das etnografias, como pressuposto à orientação epistemológica da produção de conhecimento em Antropologia. Chamo atenção para a interdependência entre produção de conhecimento e relações sociais a partir das análises dos “pesquisados” sobre as estratégias antropológicas para a produção de conhecimento, conforme apresentadas na etnografia “Yepá Bahuari Mahsô Cria o Mundo e a Antropologia. Uma Etnografia do Conhecimento entre Indígenas “Tukanoan” e Filhos do Candomblé Cruzado com Umbanda, desde Manaus”, aprovada em sua forma final pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Santa Catarina. Evidencio no texto que a tensão para a relação sujeito/objeto do conhecimento acontece desde a origem da Antropologia, mais especialmente das etnografias, e chamo atenção para o fato dos interesses dos “pesquisados” orientarem as negociações em pesquisa. Esses interesses indicam pressupostos constitutivos de uma socialidade “nativa” que, em diálogo com os contextos sociais e antropológicos implicados, apresentam estratégias para a produção de um conhecimento que mude o “Mundo da Antropologia”. Os resultados dessas negociações em pesquisa, hoje, apresentam a análise da relação entre sujeito e objeto de conhecimento, enquanto categorias que reificam espaços sociais para “pesquisados” e antropólogas/os, portanto, passam a ser compreendidas e analisadas enquanto categorias sociais. Das transformações históricas e sociais que definem os rumos da propriedade e autoridade para os conhecimentos tradicionais, conforme prescrito pela Legislação Brasileira, somadas aos também novos contextos reflexivos emergentes no debate antropológico, rui o muro entre sujeito e objeto do conhecimento como relação social assimétrica historicamente enraizada; e do campo etnográfico emerge uma proposta para as relações produtoras de conhecimento em Antropologia. Objetivamente falando, os “nativos” exigem a mudança nas regras do jogo antropológico. 



 


Palavras-chave: Epistemologia da Antropologia; Etnografia da produção de conhecimento; Sujeitos e objetos do conhecimento em Antropologia.




Link para a tese que é a etnografia que registra, em detalhes, as estratégias dos "nativos" para a crítica às estratégias políticas de antropólogas/os para a produção de etnografias: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/95195
 


Enquanto não consigo editar o vídeo da palestra, não publicarei o texto completo. Mas, disponibilizo o resumo do artigo acima e, abaixo, o filme que apresenta o "Mapeamento das relações em Pesquisa", feito em forma de texto e acompanhado de áudio visual.
Neste trabalho, tese e artigo, defendo que a Antropologia (quero dizer, antropólogas/os, obviamente não existe uma entidade metafísica aí), deve rever suas estratégias políticas para a produção de conhecimento etnográfico.
 Dizem os indígenas e afro-religiosas/os: "Sem nós, vocês não escrevem suas teses."
 A/o amiga/o perguntou: "Mas, se nós quisermos ser Pajés e Yalorixás, como fica? Não temos que passar pelas mesmas coisas que todos as/os outras/os Yalorixás e Pajés?".
Em outras palavras, para "pesquisados" em antropologia, "nativos" serem doutores devem passar por cursos de doutorado.
 E a resposta a essa pergunta, guardadora de uma excelente estratégia para a compreensão simples e direta, característica das falas indígenas e de afro-religiosas/os, argumenta sobre o que estamos falando:
"Nós não precisamos de vocês para sermos Pajés e Yalorixás. Vocês precisam de nós para serem doutoras. Vocês precisam de nós para se tornarem antropólogas."
Mais claro do que isso....

 
 
 
 
 
#ANTROPOLOGIAPARAQUEM?